terça-feira, 4 de novembro de 2008

Conto sem um conto

Um conto de um cara que foi ao bar, entrava em todas as portas que via
E a resposta era sempre a mesma: "Vá menino, vá rezar."
Ele não entendia que sem a grana não haveria um conto,
que valese o conto que tinha que pagar.
Foi a Igreja e sem se arrepender dos pecados não exitou em o padre abordar
- Seu padre, seu padre.. Quero beber, eles não querem deixar.
- Mais menino, você não pode beber.
- Mais Seu padre, até você quer palpitar?
Vive distribuindo vinho e pão sem sal, se és mão de vaca... a quem quer enganar?
Embebeda as tiazinhas, pega sua grana e depois diz: "Vá, vão rezar"...

O menino, sem sua resposta, saiu de lá encucado.. pensando no que tem feito errado
Durante os próximos dias, a história se repetiu
E no dia de domingo uma luz veio até esse conto, e o menino apartir dai se decidiu.
Armou o plano perfeito, a fuga mais sagaz.. foi a Igreja e assim que o Padre terminou a missa, ele foi se confessar.
Foi cuidadoso de entrar primeiro, e quando foi pagar a Deus os seus pecados, avistou ali a caixinha. A famosa caixinha do altar.
Chegou perto das escadas e gritou: "Morreu, morreu a menina.. filha do padeiro com a costureira, corram ali na rua ajudar!"
Ninguém olhou pro menino, uma cidade do interior com bêbados e católicos fiéis... Só queriam saber da menina e esqueceram de quem se pôs a gritar.
O menino viu a oportunidade, sem pensar por 2 segundos abriu a caixinha e voltou até o bar..
Com dinheiro na mão e adrenalina no teto dirigiu-se à mesa e pediu uma dose.
E o dono continuou a recusar..
"Vá menino, vá rezar.."
- Aqui não vendo à você menino, sua idade, sua barba.. esqueceu de aumentar?
"...HAHAHAHA...."
A frustração tomou conta da criança, a gargalhada tomando conta do bar.
As pessoas apontando, o dono rindo, a mulher te medindo... e o menino se afundando.
- "Seus desgraçados... isso ainda vai mudar!"

Foi pra casa, quase que arrependido.. com o olhar triste e o coração amargurado
Sentou na sua cama..
Gritou até sua mãe vir;
Xingou até o pai voltar...
Perdeu a razão, deitou e começou a lembrar..
- O que ocorre? Que dia estranho...

Já pela manhã, o menino levanta da sua cama com a certeza de que hoje é o dia.
Passa na padaria, pão, leite e açucar refinado. Se encanta novamente por aquela beleza, a mãe comprando pão pro filho, o marido comprando sonho pra mulher, a bela atendente que não sabe dar troco e até o português que a caneta não sabe onde enfiar.
Os bons dias, obrigados e por favor que se houve em um local familiar.
Os agrados de quem te observa mais não mede com o olhar.
E o bebado jogado, no canto mais estranho daquele estabelecimento.
O menino, que ja era muito esperto, não entendeu aquilo. O porque àquela presença era marcante.
Pessoas de familia, educadas, felizes.. comprimentando um bêbado? Um cara que male-male toma um banho?
O que será que tem esse bêbado? Não pede esmola, não pede ajuda.
Quem passa por ele, troca duas ou três palavras, agradece e deseja bom dia.
- E ele, passa por quem?
Chegando ao bar, aquela sensação horrivel das lembranças ruins.
Antes de entrar na vista de todos, resolveu espiar. Olhou, reparou..
E foi a sua batalha. Como era de se esperar.
"Vá menino, vá rezar."

Com furia no olho, foi ao mercado... apenas para passear.
Viu a loira da padaria, aquele marido só que com sua filha e diversas outras pessoas com a mesma indole, familiar, com o ar educado.
Finalmente ligou a padaria ao mercado, decidiu ir lá verificar como anda aquele lado.
Pessoas diferentes, costumes iguais. Seis pãezinhos pro gordinho, o sonho do apaixonado e o pão integral da mãe da menina que ele era apaixonado. O leite do Senhor, o boa tarde da senhora.
E o velho ali a se arrastar.

Na escola, reparou no pátio. Quem sorri, corre. Quem corre, cai. Quem cai, chora.
Quem anda, conversa. Quem conversa, grita. Quem grita, ri..
Olhar pra uma escadinha, ele diz:
- E porque aqueles 5 não saem dali?
Eram os cachaceiros. Sempre no mesmo lugar, já não tinham o que fazer e nem o que falar.
Achavam que viveram tanto, que não faziam nada, não praticavam esporte, não namoravam, tão pouco riam ou se expressavam.
O dia foi cheio, esse menino voltou pra sua casa.
Com um sorriso, deitou na cama....
- "Adoro essa hora.... me faz pensar..."

Bolou um plano, dessa vez melhor planejado.

Ao acordar, o menino pegou o dinheiro da caixinha, colou em um pote e resolveu esperar.
Quase saindo de casa, voltou correndo e pulando por sua cama abriu aquele pote e puxou 5 reais.
Encarou a padaria, memorizou atentamente seus clientes.
Foi ao bar, olhou firmemente pros seus clientes.
Sentou numa pedra, e colocou-se a pensar.
....
"Vá menino, vá rezar.."
A frase não saia da cabeça dele, se rebelou pois não sabia como pensar, como refletir sobre tudo aquilo.

Ele perdeu alguma coisa, algum ponto que não deixa as coisas tão claras... o mendigo?!
Lembrou do mendigo... aa o mendigo...

Durmiu cedo, acordou disposto. O menino estava novo, sem preocupações.
Não tomou café, apenas lavou o rosto. Foi a padaria e lá estava aquele velho, que era tão estático que mais parecia um encosto. E o menino queria exorcisar.
Talvez não aquele velho, mais sim o mistério que sua mente criou e fez ele perder dias até encontrar.

- "Bom dia Senhor, com licença.
Porque o Senhor fica ai, num canto. Sem nada fazer, só faz é as pessoas te olharem?"
- "Meu menino, a vida é passageira. Estou quetinho aqui, e você? Que faz por aqui?"
- "Vim apenas pra ouvir o que o senhor tem pra dizer, deve ter alguma explicação."
- "O que eu poderia explicar...
Vá menino... vá rezar!"

Em choque o menino pois-se a correr.
"Porque disse essa frase, como sabe da minha vida?
Velho bruxo!"

Durante oito dias o menino não frequentou os lugares. Ficou longe daquele pensamento que o consumia.
Porém todos sabem como é um ser humano, no nono dia ele foi ao bar.
Não atento a padaria, passou batido e no bar estava tudo lá.
Os mesmos caras, mulheres e o dono do bar. Na mesma posição, a bebida com cor parecida.
- "Eita, que esses caras pensam da vida?"
A cidade em movimento, sem parar.. o comércio aumentado. E a vida deles ali, sempre lenta.
Pegou os 5 reais economizados d´outro dia e dirigiu-se ao caixa.
- "Quero doce."
Com suas balas na mão, não lembra de alguém pedir pra ele rezar.

Sua vingança ficava sem solução.

Um comentário:

lokka disse...

lupinnnn
grande contador de histórias...^^
adorei queridooo..
bota brisa nisso hhahaha
mas fico legal....
qd eu falo q é talentoo...elaiaa
ta panguando aii...

;**